A lenda de Niguiri

Dizem as lendas que em épocas sombrias, quando o imperador tinha pouco poder e os homens eram menos sensatos, o Japão era governado pela insensatez de Xoguns corruptos, cuja ganância levou o povo à pobreza. No entanto, em Edo ainda havia esperança, pois lá, o bushidô ainda era seguido com fidelidade e os homens eram honrados.

Entre os setecentos samurai residentes no castelo, havia um homem chamado Niguiri, que fora batizado com esse nome por causa de sua imensa habilidade com a culinária tradicional.

Sua habilidade com os sabores era tamanha, que o próprio Daimyô (senhor do castelo) o havia designado para supervisionar a alimentação do Xogun, na capital da província.

Profundamente honrado, o samurai se arrumou rapidamente e partiu numa longa viagem pelas florestas de cerejeiras à leste.

Mas ele não estava sozinho, pois das sombras, uma feiticeira o observava. Ex-mulher do grande senhor, mas agora deposta de seu título e vivendo às escuras na floresta solitária. Ela desejava vingança acima de tudo. Seu nome era Nagata.

Nagata esperou pacientemente por uma chance de atingir seu amor banido, até vislumbrar o samurai solitário cavalgando por suas terras. Astuta, ela logo planejou uma emboscada para assassinar aquele que era considerado como um filho para o senhor de Edo.

Ela se moveu nas sombras, ajudada por espíritos maus, logo alcançou grande velocidade e perseguindo o cavalo de Niguiri, passou por debaixo de suas pernas como um raio negro, erguendo-se diante deles em aparência aterrorizante.

Enya, a égua de Niguiri se apavorou imediatamente, ergueu as patas dianteiras e caiu de lado, esmagando seu mestre, cuja espada já estava desembainhada.

O samurai, preso embaixo do corpo de Enya logo rogou aos ancestrais que o aceitassem, e tomou a faca de Sepukku caída ao seu lado.

Pouco antes de penetrar sua própria carne com a lâmina, um imenso clarão tomou conta da floresta de cerejeira, projetando no céu as luzes rosadas derivadas das flores.

A feiticeira não suportou o brilho e fugiu para o meio das árvores, queimada pela presença repleta de bondade. Era o espírito de Yamato, seu antigo mestre que o treinou nas leis e valores dos grandes samurai. Yamato, cheio de luminosidade, tocou a pata quebrada de Enya e ela imediatamente se curou.

Niguiri indagou a seu mestre a razão de o seu Sepukku ter sido interrompido e logo entendeu que a missão não havia terminado.

O espírito ancestral, tomou as mãos de Niguiri e nelas colocou um poder cujas propriedades mágicas fariam qualquer pessoa que comesse de sua comida, imediatamente ganhasse ligação com os espíritos dos samurai.

Infelizmente, os Xoguns logo o viram como uma ameaça ao seu poder opressivo, pois todos aqueles que comiam do sashimi, sushi e quaisquer alimentos feitos por Niguiri, ganhavam força, honra e nobreza necessárias para desafiar a maldade nos homens. Começou ali, a restauração da honra ao povo e ano após ano, pessoas comuns, samurais, nobres e ronins se uniram numa revolução que trouxe de volta a ligação com as raízes e o orgulho ancestral.

Niguiri, passou a ser chamado “San” que na língua tradicional é um termo de profundo respeito, e Niguiri San tornou-se para sempre a grande inspiração de todos os samurai cozinheiros.

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